13 Assassinos é a melhor coisa que aconteceu na minha vida desde que a polícia prendeu aquele cara por engano por uns crimes aí que eu cometi. O filme do diretor Takashi Miike me inspirou também em fazer um comentário acerca do gênero AÇÃO no cinema. Depois da pornografia, documentários de autópsia e desenhos da Pixar, filme de ação é o melhor gênero da sétima arte. Por quê? Porque é divertido, emocionante, tem personagens marcantes, frases de efeito e basicamente representa tudo o que gostaríamos de ser e fazer e, como não podemos, utilizamos esses filmes como válvula de escape.
Eu adoro filmes de ação com todos os exatos 5 milímetros de amor que meu coração ainda conserva. Por isso fico extremamente puto quando um puto que não entende um puto de cinema fala uma putaria do tipo: "Ah, mas Transformers 3 é um filme de ação. Tem que ter só efeitos visuais e explosão mesmo, se você não gosta disso vai assistir Woody Allen e ler Shakespeare, seu intelectualzinho de merda".
Nem vi Transformers 3 ainda, em parte porque as pessoas em cuja opinião confio falaram que é uma merda, e em parte porque quem defende fala a asneira que decrevi no parágrafo anterior. Sendo assim, vou usar Transformers 2 como exemplo de um filme de ação ruim, que faz tudo errado.
Meu filho, se eu quiser ver só as cenas de ação incríveis do Transformers, melhor eu ir no youtube e ver as cenas separadas. Assim, posso até inventar um contexto imaginário pra o que tá acontecendo na tela, tornando tudo melhor. Posso imaginar que o Shia Labeouf é um vilão insuportável e que toda a existência do universo depende da MORTE dele.
Agora, quando tenho que sentar e testemunhar DUAS HORAS E MEIA daquela merda que é Transformers 2, as tais incríveis cenas de ação ficam chatas. Ficam chatas porque a história é absolutamente ridícula, não faz sentido nenhum, os personagens são péssimos e as cenas de ação, apesar de serem incríveis do ponto de vista técnico, parece que foram filmadas por um vlogger com mal de parkinson.
TODO filme precisa de uma história. E quando falo isso, não estou dizendo que Duro de Matar necessitasse ser um Guerra e Paz da vida, com zilhões de personagens bem desenvolvidos e trama profunda e filosófica. Um filme de ação precisa de personagens pra gente se identificar, um vilão pra gente odiar, um objetivo que a gente acredite que precisa ser alcançado e, só então, lá no fim da lista, ação incrível que seja bem filmada. Pois uma cena de ação só é boa quando nos importamos com o que acontece com os personagens, quando sabemos o que está em jogo se o herói morrer.
Todas essas qualidades inexistem em Transformers 2 e, pelo que tudo indica, inexistem em Transformers 3. Então me desculpaí se não quero pagar quase 30 reais no ingresso e ficar quase 3 horas sentado numa poltrona me empanturrando de pipoca com manteiga cancerígena, sendo bombardeado pelo agradável ar condicionado do cinema, ter meus tímpanos estourados pelo som de robôs babacas se degladiando e tendo que aturar adolescentes e sua falta de educação, o que me causa vontade de fazer coisas que violariam o direito a condicional que o juiz me concedeu, tudo isso pra assistir a algo que provavelmente iriei odiar tanto quanto o segundo filme da série.
13 Assassinos é um filme de ação que faz tudo certo. A começar pela história. Então pra você aí, que curte filmes de ação merda, vou descrever a complexa história que o Takashi Miike nos apresenta. Acabei de reler a sinopse e tenho que mudar de opinião, realmente é muito difícil escrever um bom roteiro pra justificar porrada. 13 Assassinos tem uma trama tão absurdamente filosófica que só entendi o título do filme, nos créditos iniciais. Veja a sinopse, retirada do IMDb e traduzida do inglês britânico ao português brasileiro por mim:
Um grupo de assassinos se junta em uma missão suicida para matar um Lorde maldito.
Que complexo, né? Que trama labirintítica. Vou até me aprofundar um pouco na sinopse, pra tudo ficar mais claro. É o seguinte: tem o irmão do shogun, que se chama Naritsugu Matsudaira. É um cara jovem, rico e mau. Poderoso como é, faz o que quiser. Ele curte estuprar mulheres e matar crianças. As ações malucas de Naritsugu começam a incomodar outras pessoas poderosas, que contratam um samurai experiente, chamado Shinzaemon Shimada, para matar o playboy sádico. Nosso herói samurai reúne uma equipe de samurais dispostos a dar a vida pela causa, e então partem para a missão.
A primeira parte do filme serve pra algumas coisinhas. Primeiro, pra estabelecer o vilão. E que vilão filho da puta! O filme alcança o objetivo de fazer a gente odiar o cara, pois ele curte usar criancinhas como tiro ao alvo de flechas. Depois disso, vemos como o samurai Shinzaemon reúne sua equipe de assassinos. Somos apresentados a alguns dos membros mais importantes do time, e cada um deles têm uma personalidade interessante e seu motivo pra aceitar a missão. Após isso, acompanhamos como os assassinos planejam matar o vilão.
Depois, na última parte do filme, 40 MINUTOS DE PORRADA. 13 malucos contra 200, sangue pra tudo quanto é lado, explosões, frases de efeito, mortes heróicas, enfim, uma verdadeira orgia de ação pra quem gosta dessas coisas. Tudo muito bem filmado, então pode ter certeza que você saberá EXATAMENTE o que está acontecendo em meio a tanta porradaria e quem está batendo e quem está apanhado. É lindo, simplesmente lindo.
Uma das coisas que mais gosto no filme é todo o código de honra dos samurais, como estão dispostos a dar a própria vida à uma causa maior que eles e como os caras conseguem superar o próprio medo e seguir em frente. Pouco antes da porradaria começar, Shinzaemon dá aquele tradicional discurso metafórico pra encorajar a galera, comparando as armadilhas que eles fizeram pra pegar o vilão com a pescaria. Aí, entra um maluco correndo pela porta e diz: "Caralho! O exército do playboy não tem 70 soldados como a gente imaginava... são 200!" Shinzaemon nem se abala e diz: "Tem outra coisa sobre a pescaria que eu não disse procês... Quanto maior o peixe, melhor."
Os 40 minutos finais do filme são as melhores coisas que o cinema me proporcionou nos últimos tempos. Tudo o que leva até aquele ponto é cuidadosamente construído, mas de forma objetiva e rápida. A porradaria final funciona porque, como eu disse anteriormente, sabemos o que está em jogo e nos importamos com os personagens, sabemos as motivações deles, queremos que eles tenham sucesso na missão e, mesmo sabendo que é uma missão suicida, queremos que eles sobrevivam.
Além disso, quase todos os efeitos do filme são feitos na mão. Com excessão de uma cena com uns touros meio mal feitos em computação gráfica, tudo o que está na tela existe de verdade. Aquelas armadilhas foram feitas de verdade, o sangue é ketshup de verdade, todos os figurantes existem no nosso universo e não duvido nada que o diretor Takashi Miike matou alguns deles de verdade também.
Então, meu querido fã de Transformers, que usa do argumento que um filme de ação pode ser burro, veja 13 Assassinos. É um obra que não apenas prova que porradaria pode ter o suporte de uma boa trama, mas também mostra que atingir esse objetivo não é coisa que só um cientista de foguetes conseguiria.
Então, meu querido fã de Transformers, que usa do argumento que um filme de ação pode ser burro, veja 13 Assassinos. É um obra que não apenas prova que porradaria pode ter o suporte de uma boa trama, mas também mostra que atingir esse objetivo não é coisa que só um cientista de foguetes conseguiria.
13 Assassinos foi o melhor filme que eu vi neste ano. DESAFIO a sétima arte me apresentar algo melhor, pois se isso acontecer, serei um cara um pouquinho menos insatisfeito com a vida, quem sabe até eu me regenere e solte a Flavinha, que atualmente está acorrentada na minha garagem.
Nível:
Título original: Jûsan-nin no shikaku
Direção: Takashi Miike
Duração: 121 min
Direção: Takashi Miike
Duração: 121 min
Um comentário:
Cara, irei conferir esse filme. Fiquei curioso. A minha temática, também, segue esta linha a saber: música, poesia, filmes, documentários etc. Um abraço
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