segunda-feira, 3 de outubro de 2011

[Música] Rock'n'Roll: Ascensão, Declínio e Ruína.

Guns começou muito tarde e eu já tava pestanejando e cabeceando na terceira música, mas foi o suficiente pra eu ver Welcome to the Jungle e saber que, mesmo sem a velha forma e suas dancinhas homossexuais de outrora, o velho Axl ainda conseguia alcançar seus agudos não mais tão rasgados e dar umas falsas reboladas em cima do palco. Bem, é triste imaginar que o rock está em seus últimos anos de vida e, mesmo não sendo nenhum fã do Guns'n'Roses, devo considerar que é uma das ultimas bandas remanescentes da última década ainda produtiva do já decadente bom e velho rock'n'roll, apesar de uma banda pop, o Guns fez alguns hits com estilo nos anos 90.
Vendo caras como o Lemmy e o Hetfield com suas performances deterioradas pela idade já avançada, bandas como AC/DC, Black Sabbath, Rolling Stones, Lynyrd Skynyrd anunciando suas ultimas turnês mundiais com o claro intuito de uma aposentadoria em breve, ou mestres do porte de Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e B.B. King com o pé na cova, vivos só pela muleta instrumental e repertório imorrível. Dá um puta aperto no peito, não por puro saudosismo, cara, é muito mais que isso, hoje em dia é a coisa mais fácil do mundo arranjar uma gravadora pra se fazer música, mas a alma, porra, a alma do verdadeiro Rock'n'Roll com estilo, tá em extinção. E ouso dizer que esses são os últimos e que não durarão uma década, junto com eles morrerá o Rock'n'Roll. E meu maior receio é ver meu filho crescer num mundo onde as pessoas adoram Justin Biba, Nx Zero, Chemical Romance, Fiuk e afins e o Rock in Rio será feito por Ivetes Sangalos e Katy perrys.

domingo, 31 de julho de 2011

[Filme] 13 Assassinos (2010)

13 Assassinos é a melhor coisa que aconteceu na minha vida desde que a polícia prendeu aquele cara por engano por uns crimes aí que eu cometi. O filme do diretor Takashi Miike me inspirou também em fazer um comentário acerca do gênero AÇÃO no cinema. Depois da pornografia, documentários de autópsia e desenhos da Pixar, filme de ação é o melhor gênero da sétima arte. Por quê? Porque é divertido, emocionante, tem personagens marcantes, frases de efeito e basicamente representa tudo o que gostaríamos de ser e fazer e, como não podemos, utilizamos esses filmes como válvula de escape.

Eu adoro filmes de ação com todos os exatos 5 milímetros de amor que meu coração ainda conserva. Por isso fico extremamente puto quando um puto que não entende um puto de cinema fala uma putaria do tipo: "Ah, mas Transformers 3 é um filme de ação. Tem que ter só efeitos visuais e explosão mesmo, se você não gosta disso vai assistir Woody Allen e ler Shakespeare, seu intelectualzinho de merda".

Nem vi Transformers 3 ainda, em parte porque as pessoas em cuja opinião confio falaram que é uma merda, e em parte porque quem defende fala a asneira que decrevi no parágrafo anterior. Sendo assim, vou usar Transformers 2 como exemplo de um filme de ação ruim, que faz tudo errado.

Meu filho, se eu quiser ver só as cenas de ação incríveis do Transformers, melhor eu ir no youtube e ver as cenas separadas. Assim, posso até inventar um contexto imaginário pra o que tá acontecendo na tela, tornando tudo melhor. Posso imaginar que o Shia Labeouf é um vilão insuportável e que toda a existência do universo depende da MORTE dele.

Agora, quando tenho que sentar e testemunhar DUAS HORAS E MEIA daquela merda que é Transformers 2, as tais incríveis cenas de ação ficam chatas. Ficam chatas porque a história é absolutamente ridícula, não faz sentido nenhum, os personagens são péssimos e as cenas de ação, apesar de serem incríveis do ponto de vista técnico, parece que foram filmadas por um vlogger com mal de parkinson.

TODO filme precisa de uma história. E quando falo isso, não estou dizendo que Duro de Matar necessitasse ser um Guerra e Paz da vida, com zilhões de personagens bem desenvolvidos e trama profunda e filosófica. Um filme de ação precisa de personagens pra gente se identificar, um vilão pra gente odiar, um objetivo que a gente acredite que precisa ser alcançado e, só então, lá no fim da lista, ação incrível que seja bem filmada. Pois uma cena de ação só é boa quando nos importamos com o que acontece com os personagens, quando sabemos o que está em jogo se o herói morrer.

Todas essas qualidades inexistem em Transformers 2 e, pelo que tudo indica, inexistem em Transformers 3. Então me desculpaí se não quero pagar quase 30 reais no ingresso e ficar quase 3 horas sentado numa poltrona me empanturrando de pipoca com manteiga cancerígena, sendo bombardeado pelo agradável ar condicionado do cinema, ter meus tímpanos estourados pelo som de robôs babacas se degladiando e tendo que aturar adolescentes e sua falta de educação, o que me causa vontade de fazer coisas que violariam o direito a condicional que o juiz me concedeu, tudo isso pra assistir a algo que provavelmente iriei odiar tanto quanto o segundo filme da série.

13 Assassinos é um filme de ação que faz tudo certo. A começar pela história. Então pra você aí, que curte filmes de ação merda, vou descrever a complexa história que o Takashi Miike nos apresenta. Acabei de reler a sinopse e tenho que mudar de opinião, realmente é muito difícil escrever um bom roteiro pra justificar porrada. 13 Assassinos tem uma trama tão absurdamente filosófica que só entendi o título do filme, nos créditos iniciais. Veja a sinopse, retirada do IMDb e traduzida do inglês britânico ao português brasileiro por mim:

Um grupo de assassinos se junta em uma missão suicida para matar um Lorde maldito.

Que complexo, né? Que trama labirintítica. Vou até me aprofundar um pouco na sinopse, pra tudo ficar mais claro. É o seguinte: tem o irmão do shogun, que se chama Naritsugu Matsudaira. É um cara jovem, rico e mau. Poderoso como é, faz o que quiser. Ele curte estuprar mulheres e matar crianças. As ações malucas de Naritsugu começam a incomodar outras pessoas poderosas, que contratam um samurai experiente, chamado Shinzaemon Shimada, para matar o playboy sádico. Nosso herói samurai reúne uma equipe de samurais dispostos a dar a vida pela causa, e então partem para a missão.

A primeira parte do filme serve pra algumas coisinhas. Primeiro, pra estabelecer o vilão. E que vilão filho da puta! O filme alcança o objetivo de fazer a gente odiar o cara, pois ele curte usar criancinhas como tiro ao alvo de flechas. Depois disso, vemos como o samurai Shinzaemon reúne sua equipe de assassinos. Somos apresentados a alguns dos membros mais importantes do time, e cada um deles têm uma personalidade interessante e seu motivo pra aceitar a missão. Após isso, acompanhamos como os assassinos planejam matar o vilão.

Depois, na última parte do filme, 40 MINUTOS DE PORRADA. 13 malucos contra 200, sangue pra tudo quanto é lado, explosões, frases de efeito, mortes heróicas, enfim, uma verdadeira orgia de ação pra quem gosta dessas coisas. Tudo muito bem filmado, então pode ter certeza que você saberá EXATAMENTE o que está acontecendo em meio a tanta porradaria e quem está batendo e quem está apanhado. É lindo, simplesmente lindo.

Uma das coisas que mais gosto no filme é todo o código de honra dos samurais, como estão dispostos a dar a própria vida à uma causa maior que eles e como os caras conseguem superar o próprio medo e seguir em frente. Pouco antes da porradaria começar, Shinzaemon dá aquele tradicional discurso metafórico pra encorajar a galera, comparando as armadilhas que eles fizeram pra pegar o vilão com a pescaria. Aí, entra um maluco correndo pela porta e diz: "Caralho! O exército do playboy não tem 70 soldados como a gente imaginava... são 200!" Shinzaemon nem se abala e diz: "Tem outra coisa sobre a pescaria que eu não disse procês... Quanto maior o peixe, melhor."

Os 40 minutos finais do filme são as melhores coisas que o cinema me proporcionou nos últimos tempos. Tudo o que leva até aquele ponto é cuidadosamente construído, mas de forma objetiva e rápida. A porradaria final funciona porque, como eu disse anteriormente, sabemos o que está em jogo e nos importamos com os personagens, sabemos as motivações deles, queremos que eles tenham sucesso na missão e, mesmo sabendo que é uma missão suicida, queremos que eles sobrevivam.

Além disso, quase todos os efeitos do filme são feitos na mão. Com excessão de uma cena com uns touros meio mal feitos em computação gráfica, tudo o que está na tela existe de verdade. Aquelas armadilhas foram feitas de verdade, o sangue é ketshup de verdade, todos os figurantes existem no nosso universo e não duvido nada que o diretor Takashi Miike matou alguns deles de verdade também.

Então, meu querido fã de Transformers, que usa do argumento que um filme de ação pode ser burro, veja 13 Assassinos. É um obra que não apenas prova que porradaria pode ter o suporte de uma boa trama, mas também mostra que atingir esse objetivo não é coisa que só um cientista de foguetes conseguiria.

13 Assassinos foi o melhor filme que eu vi neste ano. DESAFIO a sétima arte me apresentar algo melhor, pois se isso acontecer, serei um cara um pouquinho menos insatisfeito com a vida, quem sabe até eu me regenere e solte a Flavinha, que atualmente está acorrentada na minha garagem.

Spoiler: Mosca
Nível:
Título original: Jûsan-nin no shikaku
Direção: Takashi Miike
Duração: 121 min

segunda-feira, 25 de julho de 2011

[Filme] A Serbian Film - Terror Sem Limites (2010)

Milos é um ex-ator pornô, vivendo tranquilamente com sua linda esposa e seu pequeno filho. O problema é que a aposentadoria de ex-atores pornô não é algo muito rentável, e a família passa por dificuldades financeiras. Então, Milos é contatado por Vukmir, um diretor de filmes de sacanagem que apresenta uma proposta tentadora ao nosso ex-pornógrafo: um montão de grana, o suficiente pra ele sustentar sua família pra sempre, pra fazer um filme pornô artístico e belo. Milos fica meio desconfiado, porque Vukmir não quer dizer exatamente o que acontecerá no tal filme, mas a grana é boa, Milos precisa do dinheiro e acaba aceitando. Claro, o filme que Milos tem que fazer é um tanto quanto bizarro e doentio, e daí pra frente as coisas vão de mal a pior.

A Serbian Film é a película mais chocante do mundo do momento. Esses filmes sempre aparecem, vocês sabem como são. Ouvimos histórias de gente desmaiando nas sessões, do filme ter sido banido em 200 países e tudo mais. A Serbian Film é realmente chocante. Não pra mim, pois violência, estupros, necrofilias, pedofilias, pinto no olho e todo esse tipo de coisa explícita na tela, sinceramente, passa muito longe de ser o suficiente pra me chocar. Esse tipo de coisa me entedia, a não ser quando o diretor resolve ir um pouco além, te surpreender com algo um pouco mais bizarro do que você imaginava, e aí eu só dou risada porque acho engraçado. Fala sério, imagina a cena de um cara esfaqueando o olho do outro com o próprio pinto. Isso não é chocante, na minha opinião, é hilário porque esse tipo de coisa simplesmente não acontece no mundo real. Não que eu saiba.

Mas não vou dar uma de machão psicopata sem coração, eu entendo que a maioria das pessoas é bem sensível à violência nas telas e se choca com esse tipo de coisa. A Serbian Film simplesmente não é o tipo de entretenimento para 99,9% da população mundial. Sério, esteja avisado se quiser assistir, pois provavelmente vai arruinar seu dia e você nunca esquecerá algumas das imagens que terá que testemunhar.

Filmes como esse costumam ter um destino triste. Muitas das pessoas que gostaram do que viram, gostaram por causa da violência. Muitas das que não gostaram, não gostaram por causa da violência. A Serbian Film compartilha da sina de obras como Irreversível, que ficou famoso por quão chocante é. Mas assim como Irreversível, A Serbian Film é um filmaço, com uma história profunda, muito bem dirigido e atuado e que transcende a superficialidade das cenas violentas que apresenta. Só é uma pena que mais gente não perceba isso.

Eu gostei bastante da primeira parte do filme, em que somos apresentados ao protagonista Milos e sua família. Milos é um cara tranquilão, de poucas palavras, um dia ele pega seu filho vendo um de seus antigos filmes pornô. A mãe do moleque fica alarmada, mas Milos não se abala, pois ele mesmo viu seu primeiro filme pornô quando era da mesma idade do filho. Milos é um bom pai. Quando o moleque passa a mostrar que está começando a ter desejos sexuais, Milos é atencioso e explica pro filho que aquilo que ele sente é normal.

A esposa de Milos é muito gente boa, compreensiva e não condena o cara pela antiga profissão dele. Ela é bem bonita e gostosa também, e isso é uma falha grave do filme. Se A Serbian Film tava tentando me chocar, não deveria ter colocado uma mulher tão maravilhosa na história, pois sempre que aparecia um feto sendo estuprado, eu pensava mais ou menos assim: "Hmmm um feto sendo estuprado, mas que chocante, onde estará a mulher do Milos, ela é muito gostosa, deixa eu ver o nome dela no IMDb aqui, talvez eu encontre umas fotos dela de peitinho de fora, sabe como são essas mulheradas do leste europeu". Aí, quando eu voltava a mim, o feto já tinha sido estuprado e eu nem vi o que aconteceu.

Mas eu tenho que dizer que meu personagem favorito é o pornógrafo Vukmir. Puta merda, que cara foda. Um verdadeiro filósofo da pornografia, uma espécie de cientista louco da sacanagem, um visionário do bom e velho entra e sai. Ele já começa mandando essa: "A mão DIREITA de um homem é seu CENTRO SEXUAL, pois é o canal de ligação entre TEU PINTO e TEU CÉREBRO!". E posso destacar mais algumas frases dele:

"Você, Milos, é um artista do SEXO. Você consegue humilhar uma mulher, rebaixá-la ao ÚLTIMO, depois reconquistá-la e trazê-la de volta em toda sua GlÓRIA."

"Pornografia é ARTE. Mas infelizmente a maioria dos pornôs são feitos por açougueiros, que mal sabem o que é uma câmera."

"PORNÔ DE RECÉM-NASCIDO! PORNÔ DE RECÉM-NASCIDO! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA LOL LMAO ROFLMAO KKKKKKKKKKKKKK HAUHAUHAA HSUAHSUSHAUAS HEHEHEHE HIHIHI RS".

Essas são só algumas, tem muito mais. O cara é um desvairado, um vilão louco digno de histórias em quadrinhos. O plano dele é maléfico e surreal na medida certa, por essas e outras achei as cenas que supostamente deveriam ser chocantes, engraçadas.


Não vou dar spoiler nenhum sobre o que acontece no fim do filme, pois é uma reviravolta foda. Mas foi exatamente nesse ponto que a história me ganhou como algo genuinamente bom. Até aquele ponto, A Serbian Film se assemelhava a O Albergue. Aquele clima sinistrão, gente poderosa financiando torturas e coisas horríveis, uma sensação de que, como tem gente com muito poder por trás dos esquemas, não há escapatória. Porém, na última parte do filme, a história se assemelha bastante com Oldboy, vira uma espécie de tragédia grega, e isso é muito bom. Achei uma das últimas cenas muito bonita e poética, apesar do que acontece logo depois.

Então é isso, A Serbian Film - Terror Sem Limites não é só um dos melhores exemplos de obras transgressivas da atualidade, como também é um excelente filme. Se você tem estômago e não se abala muito com sangue, atos sexuais bizarros e recém-nascidos sendo estuprados, eu recomendo muito essa maluquice toda.

Spoiler: Mosca
Nível:
Título original: Srpski Film
Direção: Srdjan Spasojevic
Duração: 104 min