segunda-feira, 4 de julho de 2011

[Livro] A Guerra dos Tronos - As Crônicas de Gelo e Fogo, Livro Um (1996)

Por que todo mundo fica chamando esse livro (e a série) de Game of Thrones? Acho que já superamos a fase em que não havia tradução para o título, e hoje, aqui no Brasil, o livro e a série são chamados de A Guerra dos Tronos. Não é uma tradução literal do título original, eu sei, mas não é um título ruim e nem faz propaganda enganosa sobre os acontecimentos da trama. Pode ter certeza que você encontrará guerras nesse livro e também tronos. Tem mais, vocês já viram um ser humano brasileiro pronunciando o título original? "E aí mano, já leu o Gueimi Ófi Trrones?". Porra, fala A Guerra dos Tronos, porra!

Vi gente reclamando do subtítulo também, que no original é A Song of Ice and Fire, mas que foi traduzido como As Crônicas de Gelo e Fogo. Li uns comentários falando que deveria ter sido traduzido como Uma Canção de Gelo e fogo, pois é mais poético. Na boa, quer poesia vai escutar música do Chitãozinho e Xoróró. Esse livro traz uma história medieval, é sujo, é violento, tem muito sangue e sacanagem, peitinhos e decapitações pra dar e vender, não há tempo pra poesia em meio à guerra.

É o seguinte, parte da história se passa no continente de Westeros, que é governado pelo Rei Robert. Esse rei tem uma espécie de primeiro ministro, que de fato governa o reino enquanto o Robert fica de curtição, e esse primeiro ministro é chamado de A Mão do Rei. Porém, A Mão do Rei morre e Robert precisa de alguém novo para o cargo, e pra isso ele vai até Winterfell convocar seu melhor amigo, Lorde Eddard Stark, para o trabalho. Eddard tem 6 filhos, é casado, já participou de guerras e inúmeras batalhas, então o cara está mais afim de curtir uma vida tranquila. Ele não quer saber de política, mas não adianta: o rei consegue tudo o que quer. Eddard assume o cargo de Mão do Rei e passa a investigar a morte de seu antecessor, e descobre que deu merda e algum puto matou o velho.

Enquanto isso, lá do outro lado do mundo, em outro continente, temos os irmãos Targaryen. Um rapazote e sua irmã Daenerys, que são filhos do rei anterior, que foi deposto por Robert. O rapazote, chamado Viserys, sonha em retornar Westeros e botar pra foder, matar o Rei e recuperar o trono. Para isso ele precisa de um exército, e decide dar sua irmã a um maluco chamado Khal Drogo, um bárbaro poderoso que tem 40 mil homens sob seu comando. Em troca, Viserys espera que Drogo lhe empreste 10 mil homens para recupar o trono.

No extremo norte de Westeros, Jon Snow, filho bastardo de Eddard Stark, inicia sua vida como membro da Patrulha da Noite. O pessoal da Patrulha da Noite deve renegar à vida anterior que tiveram e se dedicar a proteger o reino da invasão de selvagens das florestas que ficam do outro lado da muralha, que é a maior construção já concebida pelo homem e divide e protege o mundo civilizado daquelas terras amaldiçoadas. Nem preciso dizer que o perigo que espreita do outro lado da muralha vai ficar mais ousadinho e querer perturbar nosso herói, Jon Snow.

Apesar de ser uma fantasia medieval, os elementos fantásticos são bem sutis. O autor, George R. R. Martin, não está muito preocupado em criar um mundo e descrevê-lo detalhadamente, pelo contrário. O mundo é apenas um pano de fundo para o verdadeiro tema que ele quer explorar: o ser humano. Exatamente por isso eu recomendo esse livro a todos que curtem uma boa história, pois A Guerra dos Tronos é sobre pessoas, seus sentimentos e ambições, suas forças e fraquezas, e não há tema mais universal do que o Ser Humano.

O livro é narrado sob a perspectiva de 8 personagens diferentes, cada capítulo é dedicado a um deles. A consequência disso é que não há um personagem principal e essas 8 pessoas são muito bem desenvolvidas e aprofundadas. Elas realmente parecem pessoas de verdade, com toda sua tridimensionalidade, defeitos e virtudes. Todos esses personagens fazem coisas fodas e fazem coisas merdas, e isso ajuda a gente a se identificar com eles.

Aliás, enquanto eu lia o livro até esqueci de que a trama se passa em cenários fictícios. Isso porque aqueles lugares são claramente baseados em locações reais. Por exemplo, Westeros é a Europa. Winterfell é tipo a Rússia, King's Landing é a Inglaterra. Pentos é a Mongólia.

Ao norte de Winterfell, tem uma muralha que protege a fronteira da invasão dos selvagens. Obviamente que essas terras selvagens são o México e os selvagens são mexicanos. A muralha impede que os imigrantes ilegais entrem no grande império que é Westeros. George R.R. Martin pegou meio pesado aí nessa alusão ao México, pois o povo de Westeros vive falando que pra lá da muralha os mexicanos não passam de selvagens, monstros e coisas feias. Até aí tudo bem, eu pensei, são apenas os personagens com seus preconceitos absurdos e infundados, o autor George R.R. Martin está fazendo uma crítica à ignorância e, quando os mexicanos aparecerem de verdade, eles serão uma gente bela, morena, apreciadora de boa culinária e música, um povo tropical e caliente, sempre disposto a desfrutar uma boa tequila. Que nada, quando os mexicanos aparecem eles são umas pessoas ignorantes, sujas, feias, ladras e assassinas. E esses são os mexicanos legais, os bonzinhos. Porque os outros são zumbis. Porra, George R.R. Martin!

Isso não é tudo, pois há eunucos no livro. Um desses eunucos é um personagem importante da história e ele é claramente uma representasção do homem judeu. Vejam, o eunuco também sofreu uma mutilação no pênis. Além disso, ele aparece no livro como um cara safado, manipulador e todo mundo acha que ele tem magias e trucagens sobrenaturais. Ou seja, um judeu.

Porra, George R.R.Martin! Eu me pergunto como você irá retratar os negros nos próximos livros, se é que existem negros no seu mundinho de fantasia perfeito.

Tô brincando, gente. O Martin é um velhinho maneiro e não há preconceitos no livro, isso é tudo viagem minha.

Inclusive, uma das coisas que chama atenção no livro é como as mulheres são fortes e importantes. Elas são as personagens mais inteligentes, que tomam as decisões mais difíceis, carregam os maiores fardos e enfrentam os maiores problemas.

Eu não quero falar muito do livro, pra não correr o risco de estragar alguma surpresa. E surpresa é o que não falta nessa história, puta merda. A trama é completamente imprevisível, se prepare.

O que eu posso dizer, sem medo da influência da empolgação de ter acabado de ler o livro agora há pouco, é que é uma das melhores obras que eu já li. São raras as vezes em que li um livro com personagens tão bem escritos, criados por um autor que escreve tão absurdamente bem. A Guerra dos Tronos é uma obra obrigatória, ponto final. Não se deixe assustar pelas quase 600 páginas, pois você será recompensado com cenas de sexo e violência. Ah, e uma ótima história.

No próximo post eu vou falar sobre a série A Guerra dos Tronos, que foi produzida recentemente pela HBO. Vou fazer uma comparação básica com o livro e dar o veredito final e definitivo, que apenas os tolos e levianos questionarão: Qual é melhor, o livro ou a série?

Spoiler: Mosca
Título original: A Game of Thrones - A Son of Ice and Fire
Autor: Eduardo Spohr
Duração: 587 páginas

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