Lá estava eu com o dinheiro contado para pagar a conta de luz, tinha acabado de sair do posto onde fui comprar cigarros, peguei o Lucky Strike para economizar, o Marlboro custa 50 centavos a mais. E, por alguma maldição do destino, vi uma locadora com a placa de falida vendendo todo o seu estoque, infelizmente cheguei tarde e todos os filmes de bang bang tinham sido levados, a verdade é que essa era a parte boa, pois só gastei R$30,00, a 5 conto cada um. Imagina se eu fosse o primeiro da fila? Ia ficar sem luz e sem água no mês. Para a minha sorte, cheguei em casa em tempo de assistir uns 3 antes de cortarem a luz.
Arrancada Final é do mesmo diretor de Velozes e Furiosos e Triplo X, então já sabemos o que esperar só em ver a capa, esportivos importados super caros com motores ultra preparados e um nitro para acabar com a emoção do pega e, como sempre, um bólido clássico para fazer a alegria de alguns aficionados como eu. Galãs boyzinhos com cara de viado, uma ou duas modelos magrinhas atriz porno pra fazer a cabeça do público e poucos ou nenhum ator condizente com o papel.
Fugindo um pouco dos padrões de filmes modernos sobre carros e como que a Pontiac tivesse colocado alguns milhares de dólares na produção, o filme faz uma homenagem ao Pontiac GTO, grande clássico entre os muscles. Começando situado no inicio dos anos 70 com uma perseguição policial a um GTO 1969, o filme parece prometer, uma referência aos clássicos de ação dos anos 70, que não leva mais que alguns segundos para nos decepcionar, começa ferrando com a trilha sonora ruim e os atores sem feeling, o figurino até que ficou legal, mas a perseguição é rápida e sem muita ação. No desenvolver do filme, vemos clichês de intrigas entre pai e filho e rebeldias sem causa, um pouco comedida, mas não muito convincente, ainda mais por ser uma história sobre 3 gerações de uma familia. Tem conteúdo para uma boa história, mas o roteirista e o diretor não sabem conduzir e o filme acaba ficando numa corda bamba entre drama e ação sem conseguir focar em nenhum dos dois, o que deixa a desejar em todos os aspectos, sem aprofundar no drama da vida de nenhum dos personagens, nem levar a uma ação com cenas de perseguições e porrada emocionantes. Algumas cenas causam uma pontada de comoção com filosofias legais que não são levadas a cabo, tentam criar um personagem ex-presidiário, mas fica faltando muito para chegar lá, um cara que passa 30 anos na cadeia levar desaforo pra casa de dois moleques, bem, não é isso que se espera em um filme de ação. Perseguições com um GTO 2004 sem explosões, batidas, pessoas mortas e nenhum sangue. Ruim. Nenhuma cena de sexo caliente ou stripers fazendo polydance. Ruim. Heróis sem armas e nenhuma cena de pancadaria escrota. Ruim. A história é rápida, corrida para caber em uma hora e meia de filme, deixa muita ponta inacabada, muito a desejar. O que ainda salva é o drama da vida de Ronnie, protagonista da história, que viu a mulher morrer, foi preso e teve que deixar seu filho para ser criado pelo "melhor amigo". Motivado pelo ódio ele suporta 30 anos na prisão só para ter a sua vingança, em uma cena não tão convincente e nem muito imprevisível, mas impactante de fato, um final não tão violento, mas que finalizou o drama do jeito que deveria ser. Só é uma pena e uma puta facada no coração ver um clássico tão foda ser despedaçado daquele jeito.
Bem, não é o tipo de filme hetero que você espera assistir num domingo a noite, mas é um bom cine pipoca para assistir com o seu filho como aprendizado inicial sobre carros e velocidade. Antes de ele chegar aos 4 anos para assistir Mad Max. E, claro, esse tipo de filme sempre te faz querer acelerar o seu carro mil sonhando com um bendito v8.
Spoiler: Médio
Nível:
Título original: The Last Ride (TV)
Direção: Guy Norman Bee
Duração: 84 min
Direção: Guy Norman Bee
Duração: 84 min
2 comentários:
brainerd seu puto bastardo, o blog está do caralho. Acabei de ler o review do watchmen: ficou do caraleo!
Valeu, cara, a tendência é só melhorar
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